Atabaques

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Instrumentos usados no candomblé, na umbanda e em outras religiões afro-brasileiras para marcar o ritmo das danças religiosas e produzir o contato com divindades e guias espirituais. Considera-se que os atabaques tem o poder de fazer a ligação entre os mundos material e espiritual e atrair entes espirituais para se manifestarem nos terreiros, por meio da incorporação.

São de origem árabe e foram introduzidos na África por comerciantes que entravam no continente através de países do norte, como o Egito. Costumam ser feitos de madeira de lei (jacarandá, cedro ou mogno) cortada em ripas largas, presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros. Assim, assumem uma forma cônica e cilíndrica. Na parte superior é preso um couro de boi curtido e esticado. O couro deve ser bem cuidado, por exemplo, passando azeite de dendê ou azeite doce sobre o mesmo, que depois fica ao sol para secar, processo que deixa a pele bem esticada, para que produza um som melhor.

Usualmente, são usados três atabaques, cada um tocado por um ogã diferente, de diferentes tamanhos. Na nação Ketu, são chamados de: rum (maior, de som grave), rumpi (médio, de som médio) e lé (ou runlé, menor, de som agudo). No rum fica o ogã alabê, responsável responsável pelos toques. O ogã que fica no rumpi acompanha os toques do alabê, enquanto o ogã que fica no lé acompanha o que fica no rumpi.

Nos candomblé de Nação Ketu e Jeje, os atabaques são tocados com varinhas de goiabeira chamadas aguidavi. Já no candomblé de Nação Angola, na umbanda e na quimbanda eles são tocados com as mãos.

Em dias de festa, costuma-se adorná-los com tiras de pano na cor do orixá ou do guia espiritual que está sendo homenageado naquele diz. Por exemplo, branco para Oxalá ou verde para caboclos.

No candomblé, cada atabaque representa um orixá e é consagrado a ele. Portanto, trata-se de um instrumento sagrado, que deve ser respeitado como tal.

Em algumas casas, outros instrumentos de percussão acompanham os atabaques, como o agogô, o xequerê e a maraca.

No candomblé de Nação Angola, são chamados de angomas.

Toques de atabaque

Existe uma grande diversidade de toques ou ritmos de atabaque, cada um deles relacionado a um ou mais orixás. Alguns toques: adarrum, aguerre, alujá, angolão, apaninjé, arrebate, barra-vento, batá, bravum, cabula, congo caboclo, congo de ouro, congo nagô, igbin, ijexá, ika, ilú, olorum, quebra-prato, rufo, samba cabula, São Bento, sato e vaninha.

Cada toque serve para homenagear um ou mais orixás. Eis uma relação entre toques/ orixás.

Oxalá

Toque Ijexá, cabula, bate folha, igbin.

Ogum, Xangô, Oxossi, Omulu

Ijexá, Congo de ouro, Barra vento, Muxikongo, Kabula.

Logum

Ijexá, Barra vento.

Ossãe

Kabula, Congo, Barra vento, Sambangola.

Oxumaré

Ijexá, Congo, Kabula.

Tempo

Ijexá, congo de ouro, cabula, Barra vento.

Iansã

Congo de Ouro, Barra Vento, Agerrê, Kabula, Ijexá.

Oxum

Ijexá (maioria), cabula, Congo.

Iemanjá

Ijexá, cabula.

Nanã

Congo, Kabula, Ijexá.

Existem muitos outros toques de atabaque usados no Brasil inteiro. Estes são apenas alguns dos mais conhecidos.

Etimologia

Segundo Câmara Cascudo, seu nome vem do árabe, attaplo, palavra no plural, pois costuma-se tocar dois ao mesmo tempo.

Segundo o dicionário Michaelis, do árabe aṭ-ṭabaq .

Referência

Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo

Dicionário Michaelis

Dicionário dos rituais afro-brasileiros – LP Baçan

Curso de Umbanda da Sociedade Espiritualista Mata Virgem

Tudo o que você precisa saber sobre umbanda – Volume 2 – Janaína Azevedo – Universo dos Livros

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