Jeje

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Jeje é como os escravos de origem iorubá chamavam os escravos de origem fon no Brasil. Também é o nome de uma nação do candomblé.

Segundo Câmara Cascudo:

“Negros do Daomé, vindos para o Brasil como escravos e que tiveram influência folclórica e etnográfica. (…) Os jejes foram quase absorvidos pelos nagôs, especialmente no domínio religioso e social na Bahia”.

Segundo Sérgio Ferretti:

(…) O antigo Reino do Daomé na África Ocidental, conhecido de aproximadamente 1600 a 1900, sediado na região pertencente ao Benin, falante da língua Ewe-Fon, conhecida no Brasil como jeje, foi o berço desta religião. Segundo Arthur Ramos, a vida econômica, social e religiosa do Daomé girava em torno da monarquia absoluta. A família patrilinear e poligâmica era a unidade fundamental da vida social, habitando em grupos de casas (compound) onde o chefe vivia com suas esposas, cada uma morando na sua própria casa junto com os filhos casados e os irmãos mais jovens com suas esposas e filhos. Os membros mortos da família se tornam espíritos deificados.

O povo Fon é vizinho dos Yorubás, que os dominaram por certo tempo e exerceram muita influência sobre ele. A grande multiplicidade de deuses, de cultos e de mitos é uma das características da religião daomeana. A introdução de novos deuses e novas idéias relaciona-se com as conquistas. O reino aceitava cultos das sociedades dominadas e os casamentos de reis com mulheres de outras tribos, que traziam seus cultos fez com que a religião englobasse inúmeras divindades de povos vizinhos, como ocorre até hoje.

A região da Costa da África Ocidental onde se localiza o antigo Reino do Daomé, era chamada de Costa dos Escravos e também de Costa da Mina. Nesta região foi estabelecido pelos portugueses no séc. XVII o Forte de São Jorge da Mina, localizado na atual República do Gana. Existe também na região uma etnia denominada Mina. Os negros procedentes desta região foram conhecidos no Brasil como negros mina e a religião dos voduns por eles praticada é conhecida até hoje, sobretudo no Maranhão e na Amazônia, como Tambor de Mina.”

Para Sabrina Gledhill:

“Embora seja um termo guarda-chuva, a maioria dos especialistas associa a palavra “jeje” com os “gbefalantes” da Costa dos Escravos.10 A origem do termo “jeje” é um mistério para Matory e muitos outros estudiosos, inclusive brasileiros e brasilianistas, embora tenham proferido várias teorias desde o início do século XX, quando Nina Rodrigues estabeleceu a “tradição etimológica brasileira de identifi car a palavra ‘ewe’ – o nome do dialeto falado agora no sudoeste de Togo e no sudeste de Gana – como a origem do temo ‘jeje’” (Matory, 1999, p. 62-63). Matory observa que Nina Rodrigues associou a palavra “jeje” com o termo “geng” ou “gen” sem saber que “a pronúncia do ‘g’ inicial […] equivale ao ‘gue’ em português […]” (Matory, 1999, p. 63). Elbein dos Santos atribui as origens da palavra aos administradores coloniais franceses, que teriam aplicado o termo aos grupos étnicos encontrados na região de Porto-Novo. Verger acreditava que “jeje” viesse do termo “aja”, que designa o povo que deu origem às dinastias que governaram Aladá, Porto-Novo e Abomey, e Vivaldo da Costa Lima associa o termo com a palavra iorubá para “estrangeiro” (àjèjì) (Matory, 1999, p. 63) ou “refugiado de guerra”. Nicolau Parés oferece a alternativa de “Adjaché”, um local próximo a Aladá.11 Segundo Matory, a africanista Suzanne Blier, autora de African Vodun: Art, Psychology, and Power, concorda com esta hipótese, grafando o nome da aldeia como “Adjadji”, que teria sido um dos berços da dinastia aja-tado. Matory acredita que esta seja “a mais provável dentre as múltiplas possibilidades” (Matory, 1999).”

Também é o nome da nação de candomblé que cultua voduns.

Referências

[eafl id=”3342″ name=”Dicionário do Folclore Brasileiro” text=”Dicionário de Folclore Brasileiro – Luís da Câmara Cascudo – Ediouro”]

Na Terra dos Voduns, Sérgio F. Ferretti

“Velhos respeitáveis”: notas sobre a pesquisa de Manuel Querino e as origens dos africanos na Bahia – Sabrina Gledhill – 2010

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