Marafo

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O mesmo que cachaça ou aguardente. Pode ou não ser misturada com ervas. Muito usado pelos exus na umbanda e na quimbanda, embora também possa ser usada por outras entidades, como pretos-velhos e caboclos. Também chamado de marafa.

O marafo pode ser ingerido pelas entidades incorporadas, assim como usada em trabalhos de descarrego.

Segundo Adalberto Antônio Pernambuco Nogueira, ex-presidente da União de Umbanda do Estado do Rio Grande do Sul:

“É um material dotado de grande força no campo da Magia, eis que simboliza a mais perfeita ligação entre dois elementos essencialmente antagônicos: água e fogo, por mais paradoxal possa isto acontecer, e concedendo-lhe a combustão uma vitalidade hermética. Daí a propriedade com os italianos a denominação “Acqua vita”, ou seja,
água viva.

Seu poder magnético decorre exatamente desta conjugação de opostos, incomumente encontrada, o que torna assaz perigoso o seu uso pelos não iniciados. Sua ingestão ritualística deve ser feita de molde a não conduzir à embriaguês, restringindo-se às giras de Exus e aos trabalhos de Preto-Velhos. Nas engiras das demais entidades, seu uso é limitado apenas às descargas e limpezas.

(…)

Outro uso habitual da marafa é a da sua queima, a exemplo da tuia (pólvora), conquanto os propósitos sejam diametralmente opostos.

Assim, na combustão da pólvora, pela sua instabilidade e violência, busca-se a incineração de miasmas e larvas que perturbam e enegrecem as auras dos pacientes, ou o afastamento arbitrário das entidades obsedantes pela repercussão intensa provocada no baixo astral.

Já a aguardente, comburente moroso presta-se, graças à suavidade das chamas, de forma admirável para a destruição dos obstáculos projetados por pensamentos negativos, próprios ou alheios, que se acumulam na aura de cada um de nós, ocasionando transtornos os mais variados”.

Leal de Souza, no livro O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, afirma:

“Pelas suas propriedades, é uma espécie de desinfetante para certos fluidos; estimula outros, os bons; atrai, pelas vibrações aromáticas, determinadas entidades, e outros bebem-na quando incorporados, em virtude de reminiscência da vida material”.

Etimologia

Segundo o Dicionário Michaelis, o termo se originou de “malafa”, mas não indica de que idioma ou dialeto.

Segundo Ademir Barbosa Junior, vem do quimbundo malufo, “vinho”.

Segundo Adalberto Antônio Pernambuco Nogueira, vem do quicongo malavu, “aguardente”.

Referência

Dicionário Michaelis

Livro Essencial de Umbanda – Ademir Barbosa Junior

O marafo – Adalberto Antônio Pernambuco Nogueira – Jornal JOCAB (meados de 1994)

O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda – Leal de Souza – 1933

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