Batuque

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Também conhecido com batuque gaúcho, é a religião que cultua orixás no Rio Grande do Sul, aonde o candomblé é pouco praticado.

Mas há outros significados:

  1. Nome dado a terreiros em alguns lugares do Norte e Nordeste, sobretudo na Bahia e no Amazonas;
  2. Nome das danças que os escravos africanos praticavam sob o som de um instrumento com a semelhança de um tambor, também chamadas de batucajé;
  3. Som forte e agudo produzido pelos atabaques.

O batuque gaúcho

Além de estar presente no Rio Grande do Sul, a religião também é disseminada em outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai.

O termo “batuque” às vezes é considerado pejorativo, por isso seus adeptos costumam chamá-lo de Nação. Terreiros de batuque podem pertencer a diferentes nações, cada uma com suas características, tais como: Òyó, Jèjè, Nago, Ijèsà e Kabinda. Esta última tem nome de origem banto e mantém relação estreita com o culto aos antepassados, sejam desconhecidos ou de personagens ilustres em sua tradição e ascendência religiosa.

Ao contrário do que ocorre no candomblé, no batuque não há hierarquia ou cargos. Todas as funções religiosas ficam a encargo do babalorixá ou da ialorixá, ou seja, do pai ou da mãe-de-santo. Por esse motivo, quando o sacerdote morre geralmente o terreiro é extinto.

Segundo o Diego de Oxóssi, babalorixá de candomblé e sacerdote de quimbanda:

“(…) o Batuque tem por base fundamental os mesmos pontos comuns que encontramos no Candomblé e nas demais expressões de matriz africana em relação à crença praticada no continente negro: o culto e reverência aos Orísas – ancestrais divinizados que detém controle sobre forças da natureza (Verger, 1997) – por eio de sacrifícios e oferendas rituais, e a continuidade do espírito após o desencarne e sua possibilidade de retorno ao mundo material – esse, por sua vez, não através do conceito de reencarnação cristão, mas sim através da materialização momentânea através do fenômeno de incorporação e através da representação simbólica e espiritual dos rituais no Ìgbàlè”.

Saiba mais sobre o batuque neste documentário do Iphan:

O batuque como ritmo e dança

Segundo Nei Lopes:

“Trata-se do termo genericamente aplicado pelos portugueses aos ritmos e danças dos africanos. Do batuque dos povos bantos de Angola e Congo originaram-se os principais ritmos e danças da Diáspora Africana nas Américas, como o samba, o jongo, o mambo, a rumba etc.

Referência

Desvendando Exu” text=”Desvendando Exu – O Guardião dos Caminhos – Diego de Oxóssi – Edição do Autor (1a edição)

Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana – Nei Lopes – Selo Negro – Açabá

Glossário de Bantuísmos Brasileiros Presumidos – Geralda de Lima V. Angenot, Jean-Pierre Angenot e Jacky Maniacky – 2013

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